sábado, 14 de janeiro de 2012

Sobre Bicicletas e Fronteiras

Foi a partir de um texto do escritor gaúcho, na coluna do Jornal Correio do Povo, que eu enviei uma mensagem para ele. O texto dele  fala sobre o uso da bicicleta nas cidades. E por coincidência a semana que passou estive envolvida com bicicletas.
Transcrevo então aqui a mensagem que a ele escrevi.



Olá Juremir, bom dia!
Um dia fresco com ventos suaves soprando pela fronteira Livramento-Rivera.

Já faz um tempo, você nem deve lembrar de mim.
Levei você e mais um radialista de Livramento para conhecer uma biblioteca no bairro Tabatinga aqui em Livramento.
Uma carona onde o meio de transporte foi o carro mesmo....

Mas eu também gosto e aprecio a bicicleta.
Na minha cidade, Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, se utiliza muito a "bike".
Eu mesma fazia muitas coisas com ela. Ia para a faculdade, passeava, ia para a praia, fazia pequenas compras.
Lá favorece as pedaladas pois não temos grandes ladeiras como em Porto Alegre ou grandes e desafiadoras coxilhas para nossas pernas como aqui em Livramento!

Eu gostaria de andar mais de bike aqui em Livramento. Mas a minha é aquele modelo antigão que nem marcha tem, e confesso que vencer essas subidonas não é nada fácil...
Acabamos por carregar a bike em vez dela nos levar....

Recebi a visita de uma amiga virtual que se tornou real na semana passada aqui em casa. Ela e mais duas amigas vieram até Livramento para uma breve parada antes de partirem de férias para alguma linda e calma praia uruguaia. As meninas, todas já passaram dos 40, inclusive eu, vieram de bicicleta e tudo para aventuras pela fronteira e pelo Uruguai. Suas bikes devidamente acomodadas no carro 4X4 da minha mais nova amiga e assim combinamos a aventura. Elas iriam pedalando até o Cerro Palomas! Sim! São guerreiras as meninas! Acostumadas com travessias por serras e viagens em grupos de bikes pelo Brasil à fora!
Para mim foi delegada a responsabilidade de guiá-las até o Palomas pois eu conheço bem esse caminho que elas estariam conhecendo pela primeira vez.
Fui eu então dirigindo, pela primeira vez na minha vida, um carro 4X4, automático onde só temos o acelerador e o freio para pisar! Para mim uma aventura também, embora eu estivesse mesmo é cheia de vontade de ter uma bike como a delas....com marcha, e mais os apetrechos necessários para proteção como : capacete, luvas etc.
Mas ainda não foi dessa vez que eu embarquei na aventura junto das novas amigas.
Chegaram na base do palomas bem no momento do pôr de sol. E que pôr de sol!!!
Eu  as esperava sentada junto com a família do Sr. Cláudio que é uma espécie de guardião do Palomas. Assim o considero.
Chegamos no topo do Palomas e já era noite. Uma lua cheia enorme e maravilhosa nos iluminava o caminho, embora eu estivesse com minha lanterna de cabeça. Sentamos nas pedras na beirada dos paredões e ficamos a apreciar as luzes ao longe das duas cidades "irmãs". 
Sobre nossas cabeças estrelas e mais estrelas brilhavam tentando aparecer mais que a lua que estava em toda a sua mais redonda e esplendorosa forma.
Na volta, apaguei a luz da lanterna....
Para que vou querer disputar com a lua?
Sua luz nos oferecia o que precisávamos para os olhos pisarem em segurança e o coração ser preenchido com uma paz indescritível.
Nesse dia eu estava particularmente sensibilizada. Havia me despedido de alguém que me trás alegria e esperança para minha vida.
E uma incerteza apertando o peito por não saber quando vou voltar a sentir essa alegria novamente.
Minhas mais novas amigas foram embora.
E eu, com aquela imensa vontade de ir junto....ir para qualquer lugar que me fizesse esquecer um pouco a minha tristeza.
Quem sabe um dia me junto e saio por esse mundão de Deus a pedalar por aí em companhia das mais novas e animadas amigas?
Sentir novamente aquele vento gostoso nos cabelos, a sensação de liberdade que experimentamos ao subir em uma bicicleta na certeza que não precisamos mais do que isto: alegria no coração!




Voltando ao Cerro, Juremir, você já subiu no Palomas?
Já fiz essa pergunta para muitos santanenses e todos, até hoje, me responderam que não!
Eu moro aqui há 24 anos e também nunca havia subido lá. Nunca me "desacomodei" para conhecer aquele belo Cerro em forma de mesa que tanto atraiu o meu olhar e aguçou minha curiosidade desde a primeira vez que o avistei . Isso foi no ano de 1987 quando  eu chegava nessa fronteira tão distante de minha terra natal.
Faço o convite para você.
A próxima vez que vieres até Livramento, sua cidade natal, vamos subir o Cerro Palomas.
Tenho certeza que lá  você irá se inspirar e escrever belas palavras sobre esse olhar do alto onde as fronteiras não existem.
Apenas ilusão para nossas mentes.
Pois na verdade, avistarás a imensidão iluminada pelo sol que leva luz e também cria sombras com os relevos, para todos os recantos, independente de ser do lado de lá ou do lado de cá da tal fronteira imaginária e tão bem traçada nos mapas e nas cabeças dos políticos e diplomatas.

Obrigada Juremir Machado pelos seus tão conscientes e excelentes artigos.
Saudações fronteiriças mas com um chiado carioca!
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Para quem interessar em ler o texto do Juremir Machado :




Desejo para todas as pessoas, que assim como eu, querem dar uma virada na vida, se animem e saiam pedalando por aí em 2012!
Boas pedaladas sempre!

Não poderia faltar a fotografia das minhas mais novas amigas!

Eu, Lili Docinho, Ines e Bea.

Bea foi a principal "culpada" por esse nosso encontro! Fiquei muito feliz Bea! Você se dispôs a  dirigir muitos quilômetros para vir até aqui me conhecer! Que nossa amizade perdure e que eu realize o desejo de pedalar por aí com vocês. 
A visita de vocês foi importante para mim.


2 comentários:

  1. muuuiiiitoooo bom teu texto!!! só pra esclarecer, a tal tranquila playa uruguaya, la pedrera, é um fervo só!

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  2. Bea, e você deve estar adorando este fervo! Hahahaha!
    Eu já sou mesmo de lugares mais tranquilos e silenciosos.
    Beijos!

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