Por isso plante seu jardim e decore sua alma,
Ao invés de esperar que alguém lhe traga flores...."
( William Shakespare )
Campo florido no outono da fronteira
" Canção da tarde no campo
Caminho no campo verde,
estrada depois de estrada.
Cerca de flores, palmeiras,
serra geral, água calada.
Eu ando sozinha
no meio do vale.
Mas a tarde é minha.
Meus pés vão pisando a terra
Que é a imagem da minha vida:
tão bela,
tão certa.
Eu ando sozinha
por cima das pedras.
Mas a tarde é minha.
Os meus passos no caminho,
minha alma é a sombra da tua.
Eu ando sozinha
por dentro dos bosques.
Mas a fonte é minha.
De tanto olhar para longe,
não vejo o que passa perto.
Subo monte, desço monte.
Eu ando sozinha
ao longo da noite.
Mas a estrela é minha. "
( Cecília Meireles )O feriado de Páscoa veio. O feriado de Páscoa se foi.
Andei por alguns caminhos nesses dias.
E os caminhos estavam belamente iluminados.
Belamente coloridos pelos campos floridos.
O céu muito azul. Mas as pandorgas não encontraram ventos para subir aos céus e enfeitar com mais cores este feriado. As cores ficaram por conta das flores. Dos contrastes de luz e sombra nas árvores.
Procurei pandorgas no céu mas não encontrei. Nesta Páscoa não foi fácil erguer os sonhos.
Levar às alturas as orações e os pensamentos.
Encontrei pandorgas no chão.
Mas será que os sonhos foram igualmente elevados pelos pensamentos humanos?
Ou permaneceram pela terra a espera de uma brisa que os levantasse?
Pandorgas no chão a espera de uma esperança de brisa que as leve para o seu destino : o céu.
Aprecio de longe a movimentação intensa nos campos. Famílias reunidas.
Todos sentados ou correndo com suas pandorgas em um grande esforço para que tomem altura e enfeitem o céu com suas lindas cores. Esforço em vão. O jeito é tomar um mate e prosear.
Assim vou passando pelas paisagens. Também faço parte da paisagem. Caminho. Imagino estar longe daqui.
Me sentindo um pouco menos estrangeira.
Buscando dentro de mim algum traço de identidade com este chão onde eu piso.
A paisagem me envia mensagens de consolo. Posso me alegrar com as flores, as árvores, o céu, as pedras que piso. Tudo isto colabora para eu não esquecer que dentro de mim existe um jardim que eu plantei.
Que este jardim adornado por mim com carinho em minha alma faz eu me sentir menos estrangeira.
Que o exílio está fora de mim.
Dentro de mim sinto-me preenchida de alegrias e de cores que enfeitam os meus dias.
Posso caminhar por muitas terras , longe de casa , em muitos territórios mas não me deixar invadir o exílio.
Imaginar e viver a certeza que esta Terra não possui fronteiras.
Que eu posso ir e vir.
Partir e chegar.
Ser ou não de um lugar. Aprender a buscar meu espaço onde quer que eu esteja habitando.
Pois faz tempo.... os anos que vivi em minha terra natal e mais os anos que aqui eu estou , já conta o mesmo tempo.....
Eu nasci assim. Com este destino traçado.
Eu tinha apenas 6 meses de vida quando iniciei meu destino de viajante.
O destino de habitar muitos territórios.
Essa peculiaridade talvez tenha me oferecido a chance de aprender a ser mais flexível.
A enxergar com mais clareza a questão de SER onde quer que eu esteja.
Quando pequena a inocência , a leveza , facilitou para eu aceitar esse modo de viver com naturalidade.
Eu posso perceber que os anos estão me qualificando com algumas virtudes mas de alguma maneira estou ficando mais saudosa.
A saudade da mãe.
Do pai.
Da família.
Do lugar onde nasci.
Queria agora, uma pandorga colorida em minhas mãos que levasse para os céus os meus sonhos mais sinceros.
E a noite chega com uma linda lua.
Mas a lua é minha.....e sua também.
Música para embalar meus sonhos e quem sabe de mais alguém :
http://www.youtube.com/watch?v=PvGUB2wCUU8&feature=fvwrel
Lendo esse seu post me veio uma nostalgia dos tempos de pipa ! Belo relato e fotos .
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