Há muitos modos de conhecer o mundo, os quais dependem da postura do sujeito diante do objeto de conhecimento : o mito, o senso comum, a ciência, a filosofia e a arte. Todos eles são formas de conhecimento, pois cada um, a seu modo, busca desvendar os segredos do mundo, atribuindo-lhes um sentido.
O mito proporciona um conhecimento que é mágico, porque ainda vem permeado pelo desejo de atrair o bem e afastar o mal, dando segurança ao ser humano.
O senso comum, ou conhecimento espontâneo, é a primeira compreensão racional do mundo, resultante da herança do grupo a que pertencemos e das experiências atuais que continuam sendo efetuadas.
A ciência, procurando desvendar a natureza a partir, principalmente das relações de causa e efeito, aspira pelo conhecimento objetivo ( isto é, fundado sobre as características do objeto, com interferência mínima do sujeito) ; busca o conhecimento lógico, fazendo uso de métodos desenvolvidos para manter a coerência interna de suas afirmações. A aplicação da ciência resulta no conhecimento tecnológico.
A filosofia , por sua vez, propõe oferecer um tipo de conhecimento que busca, com todo o rigor, a origem dos problemas, relacionando-os a outros aspectos da vida humana, sem se restringir a uma única esfera do conhecimento ou a um único aspecto do objeto.
Já o conhecimento proporcionado pela arte nos dá não o conhecimento de um objeto, mas o de um mundo, interpretado pela sensibilidade do artista e traduzido numa obra individual que, pelas suas qualidades estéticas, recupera o vivido e nos reaproxima do concreto."
(Temas de Filosofia - Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins/editora Moderna/2005)
Sendo o meu campo de atuação a educação, diariamente me encontro diante de temas, situações e desafios na área do saber, do conhecimento.
Será que existe algo mais instigante do que o conhecimento?
Não é exatamente isto que o ser humano deseja desde sempre?
Conhecer-se e conhecer o mundo que ele faz parte?
Existe algo mais maravilhoso do que acompanhar o aprendizado infantil e vivenciar diariamente o 'frescor e inocência' de suas descobertas?
A primeira vez que escutei a palavra cognição foi no primeiro semestre da faculdade, na disciplina de Psicologia da Educação. Aquele termo me chamou atenção. Nem imaginava que eu estaria iniciando ali, com aquela escolha, passar todos os dias da minha vida profissional envolvida por assuntos cognitivos.
Coisas do pensamento, da razão, da inteligência, da mente humana, são assuntos que permeiam meu cotidiano, embora eu tenha mais dúvidas do que certezas quando a questão é sobre a mente humana. Considero grande incógnita ainda para mim todo esse misterioso universo do conhecimento humano.
Aliás, certezas nem sempre são interessantes. Elas parecem que nos deixam estagnados. As dúvidas, ao contrário das certezas, nos impelem, impulsionam para frente, em um movimento de busca e reflexão constante. Não que seja um sentimento muito confortável o da dúvida. Ela muitas vezes angustia e nos coloca em situações de difíceis escolhas. Mas quem disse que é fácil viver?
Não só no campo emocional a dúvida incomoda.
Às vezes eu tenho a impressão que possuo mais certezas do coração do que certezas da razão.
E para lidar diariamente com as crianças eu preciso equilibrar razão e emoção. Não apenas com as questões do pensamento eu lido no meu cotidiano. Muita emoção todos os dias...
E as crianças são essencialmente emoção!
Criança é um todo pulsando.
Eu preciso viver nessa fronteira entre a razão e emoção, fazer uma ponte entre a mente e o coração.
Atingir o mundo racional das crianças através da emoção. Dessa maneira o caminho se faz mais ameno, agradável e interessante.
Mas eu tenho uma certeza! Que não só as crianças preferem e precisam caminhar por essa ponte.
Quem de nós, adultos, não se sente muito mais feliz e completo, quando as coisas da vida nos são trazidas e oferecidas com carinho e com uma mão firme porém acolhedora?
Voltando para a razão, vou complementar o texto sobre "Modos de Conhecer o Mundo", com ideias de Edgar Morin.
"A INTELIGÊNCIA GERAL
A mente humana é, como dizia H. Simon, um G.P.S. ( General Problem Setting and Solving ) [ Colocação e Solução de Problemas Gerais ]. Contrariamente à opinião difundida, o desenvolvimento de aptidões gerais da mente permite melhor desenvolvimento das competências particulares ou especializadas. Quanto mais poderosa é a inteligência geral, maior é a sua faculdade de tratar de problemas especiais. A compreensão dos dados particulares também necessita da ativação da inteligência geral, que opera e organiza a mobilização dos conhecimentos de conjunto em cada caso particular.
O conhecimento, ao buscar construir-se com referência ao contexto, ao global e ao complexo, deve mobilizar o que o conhecedor sabe do mundo. Como François Recanati dizia, 'a compreensão dos enunciados, longe de se reduzir a mera decodificação, é um processo não-modular de interpretação que mobiliza a inteligência geral e faz amplo apelo ao conhecimento do mundo'. Dessa maneira há correlação entre a mobilização dos conhecimentos de conjunto e a ativação da inteligência geral. A educação deve favorecer a aptidão geral da mente em formular e resolver problemas essenciais e, de forma correlata, estimular o uso total da inteligência geral. Este uso total pede o livre exercício da curiosidade, a faculdade mais expandida e a mais viva durante a infância e a adolescência, que com frequência a instrução extingue e que, ao contrário, se trata de estimular ou, caso esteja adormecida, de despertar.
Na missão de promover a inteligência geral dos indivíduos, a educação do futuro deve ao mesmo tempo utilizar os conhecimentos existentes, superar as antinomias decorrentes do progresso nos conhecimentos especializados e identificar a falsa racionalidade."
(MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 8,ed.São Paulo/Brasília: Cortez/Unesco,2003.p.39-40.)

Muito interessante sua postagem.
ResponderExcluirPenso que uma inteligência geral desenvolvida e rica em experiências é capaz de fazer as analogias e sínteses necessárias para resolver problemas e encontrar soluções criativas.
Oi mano! Você, que aprecia uma boa leitura, sugiro que leia este ou qualquer outro do Edgar Morin. Muito bom!
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ExcluirGostamos muito da sua postagem e concordamos com o Henrique.
ResponderExcluirBjs
Mãe e Lili