quarta-feira, 30 de maio de 2012

Parque Estadual Pico do Marumbi

" O Parque Estadual Pico do Marumbi, tem 2340 hectares.
   A sorte, ou o acaso, determinou que o nome símbolo da luta pela preservação da Serra do Mar paranaense não fosse afinal "propriedade" de nenhum ser humano. O Marumbi nasceu livre e continua livre.
   A criação do parque apenas garante a morada de uma das montanhas mais belas da Serra do Mar brasileira." ( Edson Struminski )


Este é um livro que fala sobre uma paixão.
A paixão pelo mundo das montanhas.
Fala também sobre como cuidá-las, protegê-las para que elas continuem a nos proteger de nós mesmos.
De nossas ações impensadas sobre a frágil natureza do ambiente das montanhas.
Nos mostra a batalha para a criação de um parque. Com a leitura, pode-se compreender melhor sobre esse ecossistema, a Floresta Atlântica, com sua frágil e bela riqueza ambiental.


" Esta obra, originada da tese de Mestrado do Engenheiro Florestal Edson Struminski, é o primeiro livro publicado sobre o Marumbi com caráter científico, além de ter servido como base oficial do próprio Parque Marumbi. Trata-se, portanto, de leitura básica não só para pesquisadores, técnicos e estudantes, mas também para montanhistas, excursionistas e para pessoas que apreciem a natureza."

"MARUMBI, ESTÓRIAS E HISTÓRIAS

A montanha, fonte inesgotável de atitudes estéticas e emocionais


                   Pense na imagem de uma montanha. A ideia de estar em um ambiente montanhoso produz as mais variadas sensações nas pessoas. Isso ocorre porque certos aspectos da natureza desafiam o controle humano facilmente. É o caso das montanhas, desertos ou mares, que constituem elementos permanentes no mundo natural e influenciam diretamente o humano, quer se goste ou não. A tendência humana é a de responder emocionalmente a esses aspectos da natureza, tratando-os ( no caso das montanhas ) como locais feios, inacessíveis e desagradáveis ( a abóboda dos demônios ), ou como sublimes, divinos ( a morada dos deuses ). Ora como dificuldades, ora como prazeres. Nos tempos modernos, tem enfraquecido a carga emocional, porém permanece um forte elemento estético em nossas atitudes para com as montanhas que não pode ser facilmente influenciado.
                    A montanha é, na verdade, ilustrativa como exemplo na mudança de atitude humana com relação à natureza. A montanha e o vale (alto e baixo) são classificados como um dos muitos pares opostos que a mente humana selecionou na natureza ( oposições binárias ). No início da história humana, a montanha era vista como remota, perigosa e inassimilável às necessidades do trabalho diário do homem, em contraposição com os vales ou planícies. Povos em diferentes partes do mundo consideravam a montanha como o lugar onde o céu e a terra se encontravam. Como exemplos clássicos temos o monte Olimpo, na Grécia antiga, ou o monte Fuji para os japoneses. Muitas montanhas têm, até hoje, em seu topo, cruzes que simbolizam uma religiosidade extremada.
                    Tanto nas civilizações ocidentais quanto nas orientais, as atitudes para com as montanhas mudaram com o tempo. Inicialmente, o temor se combinava com a aversão, posteriormente, surgiu um sentimento pelo sublime, depois pelo pitoresco e, finalmente, nos dias de hoje, para uma visão das montanhas como locais de lazer e recreação.
                     Na China, essa mudança começou a ocorrer já no início do século X. Porém, no Ocidente, até meados do século XVIII, era insensível a visão que prevalecia sobre as montanhas. A partir dessa época, entretanto, os poetas da fase romântica começaram a cantar o esplendor das montanhas, que possuíam então uma beleza que era o que mais perto havia na Terra do infinito. A ideia da beleza estética enquadrada dentro do formal e do regular cedia espaço frente à irregularidade e ao aparente caos da natureza.
                     Com o passar do tempo e maiores facilidades para viajar, as montanhas, que ficaram mais acessíveis, perderam muito da sua aparência proibida. A emoção declinou com a familiaridade. A partir dessa época, cada vez mais pessoas viajavam mesclando propósitos de lazer e científicos. Desenvolveram-se teorias de que o ar leve e a água pura da montanha eram bons para a saúde, o que prevalece até os dias de hoje, levando à construção de sanatórios, hotéis e facilidades turísticas.
                      No século XIX, o "século das explorações" , muitas montanhas foram subidas pela primeira vez, "conquistadas" pelo homem, tendência esta que permaneceu até o meio do século XX. Passada essa fase de exploração inicial, as montanhas passaram a ser cada vez mais frequentadas, a ponto de, a partir dos anos 60, com o início da constatação de que o planeta inteiro sofria o assédio desmedido da ação humana, evidenciar-se também a fragilidade das aparentemente "indestrutíveis" montanhas. Porém, é um fato conhecido que a preocupação com o meio ambiente só tomou vulto devido à crescente degradação ou mesmo ao esgotamento dos recursos naturais. Após a realização de conferências internacionais na década de 70, a concepção do meio ambiente, até então restrita a aspectos físicos e biológicos, ampliou-se  para o meio social, econômico e cultural e para uma interação entre todos esses fatores.
                      O ser humano obrigou-se então a assumir o papel de "protetor" da natureza das montanhas que até então mal conhecia, agindo assim como "proprietário da natureza" em benefício desta, ou então, contraditoriamente, achando que por esse motivo tinha direito a utilizar os recursos naturais como bem entendesse, provocando sua degradação e chegando, às vezes, ao esgotamento.
                       De qualquer modo, a subida de uma montanha sempre muda a perspectiva do ser humano com o seu mundo. De um lado, o esforço físico e mental que a ascenção requer valoriza a pessoa. De outro, a mudança de escala mostra um mundo maior e um ser humano ( e suas intervenções na paisagem ) mais reduzido.
                      O temor, a religiosidade, o pitoresco, a possibilidade de conquista e do benefício à saúde e a higiene mental, além da necessidade de posse, proteção e finalmente, a utilização mais sábia da natureza são, portanto, sentimentos e sensações que o ser humano carrega ainda hoje de forma mesclada em relação às montanhas e que afloram quando são contempladas paisagens onde estão incluídos elementos montanhosos." ( Edson Struminski )

Recomendo a leitura!

Livro : " Parque Estadual Pico do Marumbi "
Autor : Edson Struminski - Doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela UFPR
Editora : UFPR

Fotografias da Serra do Mar Paranaense durante um passeio na serra da Graciosa e na cidade de Morretes








5 comentários:

  1. Lendo este texto me veio a lembrança da primeira vez avistando o Abrolhos. Este não o maior pico do conjunto, mas é o primeiro que acredito, impressiona a maioria que por alí passa pela primeira vez.

    Tudo é muito grande. E olha que existem montanhas muito maiores. Mas a beleza e a imensidão deste lugar já bastam pra quem vive uma vida. Acredite!

    ResponderExcluir
  2. O Marumbi está dentre as minhas montanhas preferidas , é impactante e majestoso . Parabéns pelas fotos e pelo relato !

    ResponderExcluir