para que se vea desde alta mar..."
Morei meio ano perto do farolzinho.
Ele atraía meus olhares, parecia querer me apontar o caminho.
E eu pensava que imaginava coisas.....
Mas na verdade não era a sua luz que me guiava.
Ao estar na escuridão, nesses poucos momentos de ausência de luz, tudo parece fazer sentido se soubermos compreender a luz nos momentos que ela nos falta.
Compreendemos melhor o calor quando sentimos frio.
A fome nos faz despertar para o que é estar alimentado.
A distância da casa nos faz mais felizes no retorno ao lar.
A saudade nos faz lembrar o amor que preenche.
A falta, as ausências são despertadores para aquilo que nos nutre.
E esse farolzinho me faz lembrar uma linda música de Jorge Drexler, 12 segundos de Oscuridad, compositor e músico uruguaio.
Na verdade muitas vezes nós partimos para perceber que o que queremos é ficar. Enxergamos de longe o quanto na verdade o que importa é ficar ao invés de ir.
A luzinha firme e confiante do farolzinho me instigava pensamentos sobre a escuridão em nossos caminhos.
Sobre as ausências, sobre as faltas, sobre os vazios existenciais.
Muito pouco valia terá a luz para aqueles que não souberem refletir sobre os momentos de incertezas que a vida nos faz passar, independente de nossa vontade.
Buscamos por faróis em nossos trajetos, pelas luzes que eles podem nos oferecer.
Perdemos desse modo a grande oportunidade de estar aprendendo o que a ausência dessas luzes podem nos indicar, como podem nos fortalecer.
Lembro de um exercício que minha mãe fez quando eu ainda criança, tinha muito medo do escuro. Minha mãe, em sua sabedoria e tranquilidade materna, me fez um pedido. Estávamos na sala da casa, havia terminado a luz. Então ela me pediu para ir até ao quarto dela e do pai para buscar o costureiro que estava na cômoda. Aquele pedido me apavorou só de pensar e imaginar tudo que eu poderia encontrar pelo caminho. Criaturas monstruosas e assustadoras povoaram meu imaginário infantil. Meus olhos se arregalaram e as batidas de meu coração aceleravam. Minha mãe, sabiamente, falou : - "filha, na escuridão existem as mesmas coisas que existem na luz. O que vai modificar o seu trajeto é a maneira que você caminha para chegar onde precisa chegar."
Pronto!
Respirei fundo e fui caminhando na ida mas voltei correndo!
Essa experiência na infância me abriu os olhos para a escuridão. Para todos os tipos de escuridão.
Posso ter um farolzinho sinalizando o caminho mas se a escuridão estiver dentro de mim não saberei esperar e compreender a escuridão.
Posso estar rodeada de escuridão mas se dentro de mim um farolzinho não brilha, não vou conseguir enxergar os caminhos que se abrem à minha frente.
Faróis são importantes para os marinheiros.
A escuridão é importante para se enxergar a luz.

Maravilhoso, minha irmã-poeta!
ResponderExcluirVocê é o poeta da família!
ExcluirExcelente o texto!
ResponderExcluirVocê é um dos meus leitores assíduos, Careli!
ExcluirMuito obrigada!
Um bom texto. Uma boa crônica. Parabéns Mimi Chaudon. Profundo conteúdo escrito de maneira agradável, bem escrito. A foto que ilustra é linda. O mar, o farol... Beleza, solidão, relexão...
ResponderExcluirUm momento prazeroso de leitura.
Carlos Rosa.
Obrigada!
Excluirteu texto como sempre delicado e belo!
ResponderExcluirObrigada, amiga querida Beatriz!
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