Por que não escrevemos mais cartas de amor?
Por que o amor parece clichê? Piegas?
No amor não se é metade. Doa-se por inteiro ou então é melhor esquecer.
Talvez seja isso; revelar o que somos.
O desconforto de saber quem somos, de se olhar no espelho do outro.
Revelar-se.
Como a flor que se mostra sem pudor.
Toda a sua beleza e fragilidade. Sim, fragilidade, pois o amor é frágil, necessita delicadezas e zelos.
Diferente daquelas coisas que são do mundo material, o amor não é matéria.
Espiritual e leve o amor transita entre os mundos mas não é desse mundo.
Transcende a nossa compreensão intelectual.
Aqueles que não estão preparados para a sutileza do mundo espiritual, sentirão um certo desconforto com o universo amoroso.
Amamos pessoas.
Seres viventes.
Não se ama coisas. Coisas são do mundo material.
Ama-se também uma lembrança; de um lugar especial, de um música que nos faz recordar momentos únicos vividos. Amamos tudo aquilo que nos faz essencialmente feliz.
Não digo superficialmente feliz.
Superficialidades são contentamentos passageiros, efêmeros.
Amo o que eleva a alma. Aquilo que vai permanecer para sempre comigo.
Esteja onde eu estiver poderei voltar para aquele lugar especial, para aquela lembrança querida e estar ao lado daquela pessoa amada, embora tão distante fisicamente.
Eu costumava escrever cartas de amor. Demoravam para chegar. Demoravam as respostas.
Mas era um tempo de espera onde se amadureciam sentimentos, onde permeava uma aura de promessa. O coração suspenso no ar na expectativa da resposta. Um mundo de sentimentos e cuidados amorosos com o outro.
Hoje não as escrevo mais. Sinto que deveria voltar a escrever.
Tantas pessoas que eu amo.
Tantos lugares na lembrança que me fazem feliz essencialmente.
Muitas cartas eu poderia escrever.
Mas a tecnologia nos distanciou do mundo espiritual.
Exagero? Talvez não.
A facilidade nos tornou imediatistas. Não dá para ser imediatista quando se trata de amor....
Este espaço do blog se tornou um espaço de reflexão. Lugar para me comunicar comigo mesma.
Pensamentos, sentimentos e reflexões de uma aprendiz.
Falar ou escrever sobre amor não é nada fácil pois arriscamos a ser melosos e enjoativos.
Arriscamos que "escorram" melosidades....embora eu as prefira.
As durezas não "escorrem" mas embrutecem e machucam com suas asperezas.
Mas quem sabe que para a dureza do cotidiano não seja exatamente a melodiosa nota amorosa que nos falte? Por que tanta resistência às experiências do coração?
Talvez pensem que eu me refiro apenas ao amor romântico mas eu falo de todos os amores.
Uma criança não pode ser feliz se não for amada.
Ela não vingará.
Crescerá como uma plantinha raquítica que não recebeu água, sol e o essencial ao seu florescimento.
Com o ser humano é igual.
Crescemos raquíticos por falta de cuidados amorosos. Nos embrutecemos com as asperezas do mundo material e tecnológico.
E quantas crianças se tornarão adultos carentes de amor.....
Experts na matéria e ignorantes do intangível.
Lembro Theilhard de Chardin que disse :
" Não somos seres humanos vivendo uma experiência espiritual,
somos seres espirituais vivendo uma experiência humana."
E no mundo atual podemos presenciar que o ser humano vem cometendo diariamente o crime de negar amor ao próximo. Nega-se o alimento essencial. Alimenta-se apenas o corpo.
Terá essa falta de amor relação com tantas atrocidades cometidas contra toda a forma de vida em nosso planeta?
A falta de amor não nos faz enxergar o outro, de nos colocarmos no lugar do outro. Nos permite negar as condições básicas para o ser humano se desenvolver harmonicamente e em equilíbrio mental, psicológico, físico e espiritual.
A falta de amor nega a diversidade da vida.
Nega a existência e a vida sobre a Terra.
" Ainda que eu falasse a língua dos homens
e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria."
( Legião Urbana )
https://www.youtube.com/watch?v=NQ-K8QSStOo

Maninha,
ResponderExcluirAdorei seu texto e concordo plenamente com o que disse. Também pensei, outro dia, nessa questão de não escrever mais cartas.
Parabéns!!
querida miriam, puro amor teu texto! é bem isso, por medo de sermos considerados "melosos" escamoteamos o sentimento amoroso, sufocando-o de tal forma q é preciso um baita saca-rolha pra trazê-lo a tona!
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